❝ Você vai dizer se gosta de mim
assim como sou nesse teatro sem fim
dublê de cantor cowboy de festim
arauto da dor poeta ruim
boêmio bláser, um blazer de brim
me sinto nu se você olha pra mim
— Zeca Baleiro
(Source: turva)
10:30
❝ Alô? Tem algo marcado pra hoje? Queria saber se você quer sair para beber alguma coisa.. (E ouvir umas histórias. Contar algumas também. Botar a conversa em dia. Falar sobre nós um pouco, talvez. Contar umas estrelas. Fazer uns pedidos. Quem sabe realizar alguns meus. Rir um pouco. Sentir-se leve. Esquentar um pouco os pés frios, o coração vazio. Se não quer sentar e relembrar o passado. Matar essa saudade. E essa vontade. Quem sabe sentir alguma vontade. Não sei, queria saber se você não está a fim de amar um pouco, se aceita ser amado e me amar.)
10:24
❝ _ As putas da Augusta vão gripar
Só nós dois na sacada olhando as nuvens querendo despencar, e eu penso em voz alta ‘as putas da Augusta vão gripar’.
_ E lucrar infinitamente.
Sento na sacada, te agarro com as pernas, te puxo pra perto.
_ O frio potencializa qualquer solidão…
_ E é aí que as putas da Augusta entram.
Pego teu cigarro, trago fundo, passo a fumaça pra tua boca, você recupera o cigarro.
_ Quantos dilúvios até a Terra se acabar?
_ Não sei. Você acha que vai acabar inundada?
_ I don’t know.
_ Vamos fazer uma aposta?
_ Que aposta?
_ Eu acho que o planeta vai acabar numa implosão. Se encolhendo, sabe? Tipo um big bang ao contrário, vai tudo voltar ao ponto minúsculo que um dia foi. E o mundo, as sociedades, vão regredindo lentamente até isso. Como uma fita que é rebobinada devagar.
_ Marx fala um pouco disso, que os sistemas avançam até seu apogeu e depois não suportam a si mesmo e se superam, se transformam em outra coisa.
_ Foda-se Marx. Eu não tô falando de superação, tô falando de retrocesso.
_ Eu sei.
_ E então? Qual teu palpite? O mundo acaba de que jeito?
_ Um grande terremoto inunda um continente inteiro, (de preferência América do Norte) os oceanos transbordam com o volume, o mundo acaba primeiro em fogo, destroços, cidades desmoronando… Depois em água.
_ Sobreviventes?
_ Não, nenhum. E na tua teoria?
_ Não, claro que não.
_ Se eu acertar o que eu ganho?
_ O melhor sexo da tua vida.
_ Mas isso eu já tenho.
Respondi por impulso, ele riu.
_ Quem disse que eu tava falando de você?
_ Você, quando percebeu que falou demais e ficou vermelhinha.
_ Você nem viu se fiquei vermelha, tá escuro.
Ele passou a mão pelo meu rosto, eu virei, a cidade pulsava sem pausa.
_ Tua pele fica quente, teu rosto se aquece. Eu tô perto o suficiente pra sentir. E o que eu ganho se acertar?
_ Caso contigo.
_ No apocalipse?
_ Não gosto desses termos, mas se você prefere… Sim.
_ Puta que pariu. Tenho que esperar o mundo acabar pra gente se casar?
_ Você devia gostar, vai faltar tempo.
_ Pra que?
_ Pra gente se odiar. Não é o que quem casa sempre faz? Em um momento ou outro sempre faz.
_ Vou rezar hoje.
_ Really?
_ Yeah.
_ Quer se converter antes do fim?
_ Não, vou pedir pro mundo acabar. Vou tentar antecipar.
_ Boa sorte.
9:39
Da verdade, segredo. ↘Entre os segundos fracionados de um piscar e outro: sonhar de olhos abertos; refletir a luz que vem de dois, em um só encontro. Mesmo que escuro, fechado e silencioso, nas entrelinhas pra ninguém notar, ainda é nosso. E estaremos lá. No fim da página, na última letra, nos últimos raios do por-do-sol. É sempre melhor te encontrar em silêncio e – ainda sem palavras – permanecer. Sem saber entrar, sem precisar sair.
Conversa de olhares mudos; o silêncio não está só.
O sentimento se cria no eco e só nós podemos ouvir.
Sentir é o nosso segredo.
Brenda Viegas
8:03
Tell me about how much you hate your life because you didn’t get those concert tickets.
7:43
❝ Possuía olhos indecisos - assim os chamava pois nunca firmavam a cor, castanhos-jabuticaba, castanhos-chocolate, castanhos-canela, castanhos-mel… E se perguntava: quantos olhares diferentes alguém pode ter? Tivesse quantos tivesse, todos aqueles olhares descobertos, mas não desvendados, acreditava que sempre haveria um ainda a descobrir, e passaria eternos momentos miúdos - desses que olhares se cruzam sem querer, ou não, em um girar de cabeça - tentando desvenda-los. Mas uma coisa ele sabia, todos traziam aquele encanto doce seguido de um arrepio interno. Pois nunca se sabe quem é que conseguiria desvendar o olhar um do outro primeiro, e são nesses períodos curtos que se encontra no outro sem querer o que falta. Quer se sentir mais desnudo do que ter alguém olhando fundo de seus olhos e revirar-te por dentro onde tuas respostas se escondem de você mesmo? Não existe nada mais pessoal do que aquilo que escondemos de nós mesmos no fundo da alma, e quem não sabe ainda eu vou avisar: os olhos não sabem guardar segredos.
7:21